Pensemos, primeiro, aquilo que é mais constante no homem, em seus acertos e principalmente, erros. A todo o momento os homens sofrem deslizes de seu caminho racional, caindo desde por sentimentos fortes biológicos como a paixão como aos sentimentos mais fáceis de cair (ditos pecaminosos pela tentação) como o orgulho, vaidade. A “natureza humana” é incontrolável porque ela é inata, estando numa batalha frequente com uma condição natural, racionalizando nossa sociedade se baseando em valores que inibissem a essência do temor do homem. Se construindo seus valores de limitação e controle aos centros ou bordas sociais, sempre vigente o dilema do distanciamento e distorção da razão a deixando mais complicada, pedindo ainda mais cuidado e atenção aos pormenores. Houve sim uma racionalização da natureza pelo homem, não só pelo material (mundo físico) como pela interpretação de si mesmo e dos outros.
No fundo a natureza do macaco nu é incontrolável porque de um modo ou outro ainda a sentimos forte e sedemos à ela, até mesmo quando ela mente em um pretexto que é mais alta enganação de uma causa nobre e racional sendo no fundo é algo meramente emocional. O que é controlável mesmo é a natureza racionalizante humana, esta a principal marca do homem, podendo ficar mais forte ou menos dependendo da pessoa. Essa racionalização ocorre na escolha de dois dilemas contrastantes, uma escolha entre vícios e virtudes (primeiro norteado pelos instintos e vontades, algo que Freud denominou como ID, e no segundo norteado por valores aprendidos em vivência de sua sociedade, como chamou Freud de Superego), um acelerador e freio praticamente a todo movimento social (e até individual) de um homem.
Mas Freud não foi o único ao notar este jogo de valores e escolhas do homem, Maquiável escreve em seu livro "O Príncipe", que parecia mais um aglutinado de conselhos em como liderar, discursa a instabilidade e volatilidade do poder, pesando sempre em dois pólos opostos que norteiam as ações humanas, Fortuna (acaso, vicio e instinto) e Virtú (controle, virtude e conhecimento).
Um homem que deve liderar uma nação não tem o luxo de seguir um caminho que ele queira escolher, teoricamente um bom líder sabe oscilar entre fortuna e virtú para tirar o melhor das oportunidades e situações. Desde mostrar justiça a se mostrar proveitoso, se mostrando racional e instintivo.
Enquanto este caminho restrito fica aos líderes e poderosos, aqueles que têm o controle de milhares de cabeças. Pensemos naqueles que têm apenas uma só para lidar. Na Grécia antiga uma filosofia surge propondo total domínio da razão, favorecendo ao conhecimento e controle de si mesmo. Este pensamento ligeiramente mais radical que Maquiavel, se propõe um estilo de vida de desvalorização daquilo que pode conturbar seu raciocínio, uma valorização do virtú diante da fortuna, esta que só poderia ser a decadência do homem que o aproxima da bestialidade ilógica. Um homem estoico deveria se distanciar daquilo que pode afetar sua escolha e raciocínio, para assim ver com mais clareza sua vida o ajudando a tomar decisões assertivas para seu contento. Lidando com os altos e baixos da vida, um afastamento emotivo para não machucá-lo.
Prezando mais um controle, são pessoas que temem seu descontrole por deixá-los tolos, parciais e incoerentes, influenciando em suas decisões e raciocínio, é um modo de se sentir mais seguro consigo mesmo no futuro.
Neste ponto volto à questão, a natureza humana pode ser controlada?
Só a natureza racional do homem e não do primata humano é controlável, porque só algo essencialmente racional consegue ser colocado e trabalhado aos dilemas da racionalidade e ponderação. E alguns pensaram em sua graduação como um dilema de vida, ou para manter um poder, se fazendo valer usando ambas as forças instintivas e lógicas do homem, e outros como uma vida melhor com menos dores e mais perto da felicidade (presente só dado pelo caminho da razão).
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